Havia muitos entrantes naquela casa por diversos motivos e, por mais estranho que possa parecer, entravam mais pessoas por um motivo que não é o que você está pensando.
Homens e mulheres, todos adultos, entravam para falar com a Cortesã de Kyoto.
Uma mulher esplendorosa que dizem ter nascido adulta… estranho… muitas lendas rondavam aquele lugar e ainda mais aquela mulher que andava com um caderno, uma caneta e um peso de papel, fora outros penduricalhos e apetrechos como bebida, cigarro, cinzeiro e um lenço.
Ela não falava… cochichava. Ela suspirava, baixinho… e você tinha que se esforçar para ouvi-la… de mansinho, rápido, sem tempo a perder, mas sem ansiedade… ela tinha uma agonia de falar rápido, escrever e passar para o próximo.
Ela comia escondida; ninguém sabe onde, ninguém sabe o que, ninguém sabe como. Ela nunca parava, olhava as estrelas, ficava pensativa ou mudava o olhar.
Um olhar fixo, nervoso, reto, combativo, muralístico, alguns diziam! Mas sempre a procuravam.
Certo dia sumiu.
Levou consigo 50 cadernos, 50 canetas, 50 pesos de papel e 50 lenços. Um kit. Um kit sobrevivência. Um kit de amor ao que fazia. Mas nunca achamos o caderno dela. Um banco de emoções, um banco do cotidiano das pessoas, um banco onde as pessoas deixavam com ela o que queriam que rendesse, florescesse, aumentasse e depois iam buscar com juros.